terça-feira, 7 de outubro de 2014

DOMITILLA BELTRAME RECEBE HOMENAGEM ESPECIAL -PRESIDENTE DA UBT-NACIONAL-TÍTULO PERSONALIDADE DA TROVA.

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XXVIII JOGOS FLORAIS DE BANDEIRANTES-PR/2014
JUBILEU DE CARVALHO DE BANDEIRANTES
TROFÉU "LUIZ OTÁVIO"
TÍTULO:PERSONALIDADE DA TROVA
TITULADA:DOMITILLA BORGES BELTRAME
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VER DOMITILLA BELTRAME 
NOSSA PRESIDENTE NACIONAL DOS TROVADORES 
RECEBENDO HOMENAGEM. MERECIDOS APLAUSOS.
Facebook: Silvia Motta Araújo Motta-BH-MG

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DOMITILLA BELTRAME
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Um rouxinol chamado Domitilla!

                    UM ROUXINOL CHAMADO DOMITILLA BORGES BELTRAME  
          Nascida em Minas Gerais, Domitilla há muitos anos reside na capital paulista. Conheceu a UBT na década de 80 e desde então, “abduzida” pela magia da Trova, tornou-se uma Trovadora de renome em todo o país, produzindo intensa e belamente.
          Quando entrei na UBT – Seção São Paulo em 1997, Domitilla era a Presidente da Seção já há algum tempo, cargo que ocupou até 2006, quando fez de Selma Patti Spinelli sua sucessora no comando da Seção. Atualmente é Vice-Presidente de Finanças da Seção e Presidente da UBT – Estado de São Paulo, em sucessão a José Valdez de Castro Moura.
          Recentemente, em uma reunião, Selma chamou Domitilla de rouxinol, em alusão à sua voz doce, afinada e delicada como cantora. , de fato, como um rouxinol, Domitilla nos encanta com o tom diáfano e delicado de suas trovas. Uma de minhas trovas preferidas de “saudade” é de Domitilla.Na minha humilde opinião, contém um dos melhores “achados” que já vi, sentir saudade da própria saudade:
Depois do agrado, é verdade,
apressado ele partia...
Mas hoje tenho saudade
da saudade que eu sentia...
          E por falar em saudade, Domitilla é dona de metáforas de notável sutileza e encantamento, ao nos envolver na sua atmosfera de saudade:
Quando a lembrança me invade
no porto da vida – e quanto!
- brilha o farol da saudade
sob a neblina do pranto!
Eu ergo a taça a brindar
a noite que o quarto invade
e, no cristal do luar,
bebo o vinho da saudade!
Com altivez, disse um dia:
- “Ir procurar-te? Jamais!”
Mas a saudade vadia
não respeita o “nunca mais”...
Quando a vida, num desmando,
fecha a porta da esperança,
vem a saudade, arrombando,
as janelas da lembrança !...
Li teu bilhete: "Lembranças!".
E, na emoção que me invade
um carrilhão de esperanças
desperta minha saudade !  
          E esta que não fica a dever a nenhuma das trovas antológicas que conhecemos e tanto amamos:
Vem a noite e, sem tardança,
esta saudade se espalma
e acorda tua lembrança
adormecida em minha alma !
        Nem sempre, porém, a palavra “saudade” aparece claramente em um dos quatro versos, embora se insinue nas entrelinhas:
Vou carregar vida afora
esta dor que mortifica,
por eu não ter tido agora
coragem de gritar: Fica!
Em minha varanda, a sós,
vendo os ganchos na parede,
eu choro a falta dos nós
que amarravam nossa rede!
Eu não te esqueço e confesso:
No calvário da lembrança,
teu corpo ficou impresso
no sudário da esperança!...  
         Como percebemos até aqui, Domitilla Borges Beltrame é uma trovadora de intensa vocação lírica e, nesse lirismo envolvente, sua pena abre um leque de sensações, falando de sentimentos profundos, como nas trovas a seguir:
Minha mágoa se retrata
neste porto... Junto ao cais,
pois, na espera, me maltrata
o medo do “nunca mais”...
Para o encontro dos amantes,
o dia cerrou o olhar,
mas, indiscreta, em instantes,
a lua veio espiar!
Sou um pecador confesso.
Do teu castigo a alguns passos,
um só favor eu te peço:
- Crucifica-me em teus braços!...
Nossa união, em verdade,
é assim perfeita, eu suponho:
tu és sol da realidade.
Sou lua, carrego o sonho !
O nosso amor escondido,
sem promessa de aliança,
tem o sabor proibido
da fruta da vizinhança!...
"Voltarei" dizes depressa
num agrado à despedida;
fica comigo, a promessa
e em tuas mãos, minha vida!
Que murmurem, não me importa ...
Pecado, nossos abraços?!
Deixo o mundo além da porta ,
faço meu céu em teus braços !
           Conforme vimos, Domitilla é intensamente lírica. Em dados momentos, porém, Domitilla consegue um efeito poético que poucos conseguem: um entrecruzamento de gêneros, em trovas que são líricas e filosóficas ao mesmo tempo:
No alento para viver
mergulhando em teu olhar,
sou como um rio a correr
na eterna busca do mar...
Brigamos, mas a tormenta
em instantes se desfaz;
um grande amor sempre inventa
um arco-íris de paz!...
          É claro que o lirismo “incorrigível” de Domitilla cede lugar a trovas sentenciosas, filosóficas, que são Poesia em estado puro, além de inegáveis lições de vida:
A nossa fé é a virtude
que nos dá tanto otimismo,
que deixa ver, da altitude,
a flor nas trevas do abismo!
Procure espalhar, na vida,
alegria em sua estrada,
que a alegria dividida
é sempre multiplicada!  
         O talento poético de Domitilla se reparte, e a filosofia e o lirismo se fundem em trovas pictóricas, que representam verdadeiras aquarelas em quatro versos:
Rasgando o ventre da serra
num parto de luz e cor,
o sol vem brindar à terra
numa oferenda de amor!
Assim banhada de lua,
em um silêncio encantado,
a velha matriz da rua
guarda o perfil do passado!...
          Dificilmente algum de nós riria ouvindo o cantar de um pássaro, principalmente diante de um rouxinol. Mas Domitilla é um rouxinol eclético. Também nos brinda com trovas humorísticas de bom gosto e bem construídas. As trovas a seguir, ambas premiadas em Nova Friburgo quando o tema era livre, nos revelam um senso de humor que também não deixa a desejar aos mestres do gênero, sendo a última simplesmente perfeita!:
Em Lisboa, zero grau
anuncia o aviador.
- "Que bom, exclama o Lalau,
não é frio nem calor!"
O marido agonizante,
insistindo quer saber :
"- Fui traído ?" E ela hesitante:
"- E, se você não morrer?!"
           Domitilla publicou um livro de trovas, chamado “Trovas, gotas de ternura”, atualmente esgotado. Apreciando de relance sua poética, somos levados a concluir que é um privilégio termos nas hostes da UBT uma Trovadora de tamanha grandeza. Esperamos sinceramente que ela continue produzindo maravilhas como estas que lemos aqui e que o nosso Criador lhe dê anos de vida, saúde e inspiração!
Fonte:
http://www.falandodetrova.com.br/rouxinoldomitilla
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Correspondências para j.ouver@gmail.com

   O "Falando de Trova" é um site que nasceu de uma idéia que surgiu em meados de 2002, quando o poeta e trovador José Ouverney e seu filho José Ouverney Junior criaram o informativo impresso "Trovajambo", que divulgava trovas e concursos nacionais e internacionais. Devido às circunstâncias este informativo teve vida curta, mas deixou sementes. Mesmo com o fim do informativo, José Ouverney continuou seu trabalho de divulgação com uma coluna no Jornal Tribuna do Norte (a qual ainda existe) intitulada "Falando de Trova". Inspirado pelo nome de sua coluna e ainda no ímpeto de divulgar a trova, surgiu a idéia de transformar isso em um site pessoal, e aqui estamos...
   Este é um trabalho sem fins lucrativos, que tem por principal objetivo a divulgação e propagação de uma das mais belas manifestações poéticas já inventadas, a TROVA. Trabalho de pai e filho, vem se mantendo desde Maio/2005, e já passou por três mudanças de visual desde sua criação. DADO IMPORTANTE: embora a alguns possa parecer que o trovador responsável pelo site visa algum benefício pessoal com a realização deste cansativo, porém prazeroso trabalho, fique bem claro que a palavra IDEALISMO ainda existe, embora raramente seja cultuada.  Não se cobra assinatura, tampouco se estampa patrocínio: o grande pagamento é o agradável retorno que os adeptos da Trova proporcionam.
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EU TENHO QUATRO OPÇÕES…

COLUNA FALANDO DE TROVA, POR JOSÉ OUVERNEY

Enganou-se o leitor que pensou que eu ia falar sobre eleições e candidatos. Não costumo me aprofundar em assuntos que desconheço. O que me ocorreu foi o seguinte: se houvesse uma rua chamada “Rua dos Trovadores”, como seria bom se eu pudesse nela residir! Ao postar uma carta, orgulhosamente faria constar: “Rua dos Trovadores, número tal”…
Tendo vindo a ideia, corri ao amigo Google e me pus febrilmente a procurar. E não é que encontrei? Não só uma, mas, quatro Ruas dos Trovadores, sendo duas em plagas paulistas e outras duas na “Terrinha”. Ora, alguns ativistas da Trova até poderão se surpreender: “Nossa, mas a Bahia nem é tão atuante assim no movimento trovístico!” Mas eu lembro, a quem alegar surpresa, que foi lá que surgiu o GBT (Grêmio Brasileiro de Trovadores), fundado em 19, por Rodolpho Coelho Cavalcante. E que a UBT (União Brasileira de Trovadores), idealizada por Luiz Otávio, nada mais é do que uma dissidência do GBT. Mas foi na Bahia que tudo começou.
Portanto, na certeza de estar prestando um serviço de utilidade aos “irmãos de sonhos”, eis aí, trovador, caso você queira mudar-se para um deles, os dados completos dos endereços por mim localizados:
Rua dos Trovadores, Cep 45.600-000, Bº Santo Antonio, Itabuna/BA;
Rua dos Trovadores, Cep 40.245-740, Bº Engenho de Brotas, Salvador/BA;
Rua dos Trovadores, Cep 04895-810, Jardim Represa/Parelheiros, São Paulo;
Rua dos Trovadores, Cep 12.053-300, Parque São Cristóvão, Taubaté.
Ah, pode ser que nessas ruas não resida nenhum poeta e você seja o primeiro, já pensou? Pensando bem, a ideia começa a me atrair!
Pesquisa feita, senhores,
o resultado é incomum:
nas Ruas dos Trovadores
não há trovador algum.
Pra contornar essa falha,
em uma ação das mais belas
vou juntar a minha tralha
e mudar-me pra uma delas.
Itabuna e Salvador
são longe… São Paulo estressa,
mas posso ser morador
de Taubaté. Vamos nessa???

CULTURA | OUTRAS NOTÍCIAS:

Fonte:
http://jornaltribunadonorte.net/noticias/eu-tenho-quatro-opcoes/



A TROVA

A Trova é uma composição poética de quatro versos setessílabos, rimando o 1º com o 3º, o 2º com o 4º, tendo um sentido completo.

A UBT - União Brasileira de Trovadores é uma entidade que congrega duas centenas de cidades do Brasil e Portugal, onde as Seções e Delegacias divulgam a Trova, com a realização de Oficinas e Concursos. A UBT Nacional existe há 50 anos.

A UBT Seção São Paulo convida para reuniões no segundo sábado de cada mês. Das 15 às 17 hs, no salão do 2º andar do Museu Casa das Rosas, Av. Paulista, 37 - Estação Brigadeiro do Metrô -  Entrada Franca. Entre em contato conosco.

Presidente: Selma Patti Spinelli (11) 5561-2730

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POSTADO POR 

ELISABETH DOUZA CRUZ:


https://www.facebook.com/elisabeth.souzacruz?fref=nf


IMPORTANTE


Neste dia sete de outubro, às 11 da manhã, a Câmara de Nova Friburgo aprovou, por unanimidade, a TROVA como patrimônio cultural de Nova Friburgo, num projeto de autoria do vereador Wanderson Nogueira. 

A UBT-NF está honrada com mais este reconhecimento para a importância da Trova.

No dia 24 de setembro, por inciativa do vereador Gustavo Barroso, 

foi instituído o Dia Friburguense de Amor à Trova. 
Já somos, por Lei Municipal, a Cidade da Trova - desde 2003. 

É isso! Estamos felizes e logo mais, à noite, 

darei mais informações sobre mais este fato histórico para o movimento trovadoresco.

* O vereador Wanderson Nogueira, que apresentou o projeto da 

Trova como Patrimônio Cultural - acabou de ser eleito Deputado Estadual por Nova Friburgo.


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PALESTRA SOBRE TROVAS




     A  Trova  na  Academia

      Maria  Nascimento  Santos  Carvalho


             Autoridades presentes,
             minhas senhoras, senhores,
             renomados Presidentes,
             meus bons irmãos – Trovadores.

  A  Academia  da  Trova
  que  nos acolhe tão bem
  a cada dia comprova
  o valor que a Trova tem...

            Permitam-me apresentar
            A  Trova  na  Academia
            que,  agora vai ocupar
            um pouquinho do seu dia.

            A palestra que apresento,
            humilde e  quase sem brilho,
            nesta  Academia  ostento
            feito a mãe que ostenta um filho.

            Abrindo o meu sentimento
            eu confesso, agradecida,
            que este momento é um momento
            de vitória  em minha vida.

            Permitam-me lhes dizer
            com infinita  humildade
            que nem sei como conter
            meu grau de felicidade...

            E em meio a tanta afeição
            a minha emoção é tanta
            que as frases de gratidão
            morrem  presas na garganta.


Meus  amigos :

Gostaríamos, neste momento,  de poder dizer Trovas  de todos os nossos  irmãos de sonhos, mas são tantos e tão queridos  que passaríamos horas e horas fazendo desfilarem seus versos, razão porque, pedimos desculpas àqueles  que, por  limite de tempo, não estão incluídos  em nosso modesto trabalho, o  que muito nos entristece.

Como estamos na Academia  Brasileira  da  Trova, procuramos focalizar  o tema  TROVA  e deixar alguns esclarecimentos sobre ela : gênero, forma, metrificação, ritmo etc.
     
 Para  ilustrar o nosso trabalho, registramos  a opinião abalizada do grande escritor JORGE  AMADO  a respeito da Trova.
                                 
“ Não pode haver criação popular que fale mais diretamente ao coração do povo do que a Trova.    É através dela, que o povo  toma contacto com a poesia e sente a sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador são imortais”.
Jorge   Amado    (Revista Coquetel  =  Bronze)

                A  TROVA

Na antiguidade, Trova era considerada uma canção,  uma quadra popular que tinha origem  nas composições dos Trovadores medievais.
Na poesia trovadoresca, ou provençal que começou a partir do século XIII,  a Trova podia ser :
 Uma “ Cantiga de Amigo “,  quando a mulher contava  ao amado  suas mágoas de amor. (Eram de fundo folclórico e as mais antigas e mais belas).

“ Cantiga de Amor “, quando o namorado se dirigia à amada e “Cantiga de escárnio“,  com poesia satírica e picante.

As Trovas eram cantadas pelos Trovadores, geralmente nobres empobrecidos  que as compunham     e pelos jograis,  homens do povo que se limitavam a interpretar as canções  dos Trovadores.

          A partir do século XVII, essas composições passaram a se chamar de Trova    e foram reunidas  em três cancioneiros :    Cancioneiro da ajuda,     Cancioneiro da Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca de Lisboa.             (Universo, vol. X, pág. 5000).

Atualmente,  de acordo com a definição de LUIZ  OTÁVIO,   o  Príncipe da Trova Brasileira,

TROVA é uma composição poética   contendo quatro versos setissílabos, rimando o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto, com sentido completo, como :

                              Ó linda Trova perfeita
   que nos dá tanto prazer !
                Tão  fácil – depois de  feita.
   - Tão  difícil  de  fazer ...
    Adelmar  Tavares  -  Rei da Trova Brasileira

         As Trovas  podem ser , líricas,  filosóficas, lírico  filosófica ao mesmo tempo,    humorísticas ,  brejeiras, as de humor leve,  cívicas,  religiosas etc.

Até  há  mais de meio século passado,    as  Trovas, na maioria,    eram compostas com rimas simples, ; rimando apenas o segundo verso com o quarto, o que até o presente, ainda é utilizado por um número muito reduzido de autores, não valendo esta prática para os Concursos de Trovas e Jogos Florais.

      É de  José  Alberto  da  Costa, de  Maceió -  AL, a Trova de rima simples  que diz :

               Tentei fazer uma trova
               e vi que não é moleza.
               Se dizer tanto em tão pouco
               com graça e muita beleza.

            Muitas  composições musicais foram feitas com versos de sete sílabas, entre elas, as mais costumeiras  são as cantigas de roda  e as cantigas de ninar, geralmente com rimas simples, que até hoje são  exaustivamente cantadas, como :

                            O cravo e a rosa
O cravo brigou com a rosa
debaixo de uma sacada ...
O cravo saiu ferido
a rosa, despetalada.

O cravo ficou doente
a rosa foi visitar...
O cravo teve um desmaio
a rosa pôs-se a chorar...

O cravo tem vinte anos,
a rosa tem vinte e um ...
A diferença que existe
é que a rosa tem mais um !

Quanto às Trovas perfeitas, aquelas que rimam o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto  e com rimas consideradas rimas ricas, temos :

De  Luiz  Otávio, o  Príncipe  da Trova Brasileira :

     Trovador, grande  que seja,
       tem  esta mágoa  a esconder :
       a trova  que  mais  deseja
       jamais consegue  escrever ...

        Sérgio  Bernardo , de Nova  Friburgo -  RJ
                       Sem a trova, que o completa,
                       como aos sonhos dar vazão
                       o coração do poeta,
                       num mundo sem coração?!

      Edmar  Japiassú  maia – Rio de Janeiro - RJ
                     Quatro folhas: sortilégios...
                     Quatro versos: quadras novas ...
                     E ao poeta os privilégios
                     de cantar trevos e  trovas!

             Elisa  Flores  -  Rio  de Janeiro - RJ
                      Dos fios de luz dispersos
                      sob a prata do luar,
                      escrevo  em trova meus versos
                      e os deponho  aos pés do altar.

Antônio  Siécola  Moreira -  Santa Rita do Sapucaí - MG
                  A Trova, que eu idolatro,
                  pois me encanta e  me  extasia,
                  é um "retrato três por quatro"
                  que tiramos da Poesia.

          Em  A  Banda, de Chico Buarque  de Holanda, com exceção da primeira estrofe,  todas as demais  podem  ser consideradas como Trovas simples, também, por serem  compostas com rimas simples, rimando apenas a o segundo  com o quarto versos :  Ouçamos na voz do excelente cantor  Antônio  Moreira.

A  BANDA

 Estava à toa na vida,
 o meu amor me chamou
 pra ver a banda passar
          cantando coisas de amor.

 A minha gente sofrida
 despediu-se da dor
 pra ver a banda passar
          cantando coisas de amor.

          Mas para meu desencanto
            o que era doce acabou,
          tudo tomou seu lugar
          depois que a banda passou.
                   
          E cada qual no seu canto,
          em cada canto uma dor
          depois da  banda passar
          cantando coisas de amor.

Estão aqui presentes Trovas de  excelentes Trovadores paulistas que nos brindaram com suas composições, tais como :

José Valdez de Castro Moura  -  Pindamonhangaba – SP
     Bendigo a Trova que aflora
                   na minh' alma !   Que alegria !
                   E, sinto luzes da aurora,
                   no final de cada dia !

Marina  Bruna – São  Paulo  -  SP
                               A Trova, que lembra a rosa
      no emblema  dos trovadores,
        é tão pura e majestosa
        quanto a rainha das flores.

Pedro  Ornellas  -  São  Paulo  -  SP
    De incompetência dão provas
    os meus rabiscos bisonhos;
    sobra sonho em minhas trovas,
    falta a trova dos meus sonhos!

        Domitilla  Borges  Beltrame – São  Paulo -  SP
        A Trova, bem trabalhada
        e que é feita com  ternura,
        é como jóia  engastada
        em  nossa literatura !

    Selma  Patti  Spinelli  -  São  Paulo  -  SP
            Recolhe o som do infinito
                          e a  luz que a manhã renova,
                          prende num verso bonito,
                          e num  milagre: eis a Trova!

          Como dissemos, há muitas  cantigas de roda feitas em  forma de Trovas. Ora com rimas simples, ora com rimas duplas, ou perfeitas, mas todas   lindas,  como       “ Terezinha de Jesus “,  que,  apesar de conter  verso de pé-quebrado,  como:  “acudiram três cavalheiros”  é tão apreciada pela garotada quanto por todos nós.

 Teresinha de Jesus

Teresinha de Jesus
numa queda foi ao chão
acudiram três cavalheiros
todos três chapéu na mão.

O primeiro foi   seu pai
 o segundo, seu irmão,
 o terceiro foi aquele
 que à Teresa deu a mão.

   Da laranja quero um gomo,
   do limão quero um pedaço,
   da menina mais bonita
   quero um beijo e um  abraço.

Alguns Trovadores  preferem utilizar o tema nas rimas, o que, muitas vezes, dificulta muito mais a feitura da Trova, quando há poucas rimas, como sejam : Palavra,  mãe, tempo, quarto  etc.

        Vejamos Trovas com rimas na temática:   Trova :

        Josafá  da  Silva  Sobreira  - Rio de Janeiro - RJ
        Quem dera que minha  Trova
        fosse um hino de louvor
        que um anjo ao meu lado aprova
        e leva aos pés do Senhor !

  Gislaine  Canales – Porto Alegre - RS
  A minha vida é uma trova,
  trova de ilusão perdida,
  pois a vida é grande prova,
  que prova a trova da vida!

Kleber  Leite  -  Itaocara  -  RJ
 "Verdade!..  não faço trova...
Sou  um  mero Beija-flor...
Levando ao mundo, o que prova
ser ela o meu grande Amor..."

Jane  Azevedo –  Mauá  -  RJ
Quanto mais eu faço trova
mais trovas quero fazer,
parece até uma prova
de amor ... com muito prazer.

  Prof.  Garcia  -  Caicó  -  RN
  No amor tudo se renova,
  não seja escravo da dor;
  faça do ódio uma trova,
  do tédio um verso de amor!

Outra composição que muito nos encanta, que também é feita em forma de Trova é  “Samba  lelê”, mas além de se apresentar com rima simples, em seu primeiro  e  segundo versos  encontramos  a palavra TÁ, em vez de ESTÁ, e  a junção de “ com a “, com a contagem  de uma sílaba apenas, o que só é permitido  através  de  “licença poética “.
Isto  tornaria impossível uma classificação num Concurso de Trovas, no gênero lírico - filosófico, por entender a maioria dos julgadores que há  uma imperfeição inaceitável (tá), em dois versos  e uma apenas protegida por  licença poética, (com a) o que caracteriza total  falta de recurso para a composição perfeita da  Trova.

       Deliciemo-nos com um trecho de Samba lelê na  expressiva  voz de Antônio Moreira.

      Samba lelê

Samba  lelê tá doente,
 tá com a cabeça quebrada ...
 Samba  lelê,  precisava
 de uma gostosa   palmada.   (bis)

O Rio Grande do Sul também está presente em nosso modesto trabalho, representado por Trovadores de excepcional qualidade,  como :

Mílton de Souza  -  Porto  Alegre  - RS
A  quadra  metrificada
chama-se "trova", hoje em dia.
E a trova é a raiz quadrada
da mais perfeita poesia...

                      Clênio  Borges  - Porto Alegre  - RS
                             Nesta trova vou contar
                             o que um adeus faz sentir:
                             quem  parte, almeja   ficar,
                             e quem fica, quer  partir.

Enriquecendo esta modesta palestra, também selecionamos  Trovadores  de vários outros estados, com  Trovas de  inspirações privilegiadas, tais como :

 Antônio Augusto de Assis – Maringá  -  PR
                  Na tribo dos trovadores,
                  entre irmãos te sentirás.
                  Quanto mais fraterno fores,
                  melhor trovador serás!

                 Thereza  Costa  Val – Belo Horizonte - MG
                              Na trova, que é seu veleiro,
                  singrando temas diversos,
                              trovador é marinheiro
                              que navega em quatro versos.

                 
                      Sarah  Rodrigues / Salinópolis - PA
                           "Na paisagem desse sonho,
                           no contraste de um amor,
                           essas trovas que eu componho
                           sempre afogam minha dor."

ROBERTO RESENDE VILELA -  Pouso Alegre - MG
                               Pelas veredas singelas
                               da Trova e da Poesia,
                     se difundem as mais belas
                                lições de Filosofia.

No Rio de Janeiro,  estamos  premiados com Trovas de renomados Trovadores, o que muito nos honra e nos envaidece:

  Almerinda  Liporage – Rio de Janeiro  -  RJ
           Se uma Trova me entristece,
           fazê-la, sei que não devo ...
                                     Tristeza ninguém merece
          e, por isso,  eu não a escrevo...

                       Benedita  Azevedo  -  Mauá  -  RJ
                              Fazer trova com carinho
                              faz bem ao nosso viver.
                              Fazer da trova um  bom vinho,
                              é só questão de querer...

          Maria  Madalena  Ferreira -  Magé  -  RJ
                     Meu dia nasce risonho;
                     minha emoção se renova
                     sempre que acordo de um sonho
        e trago pronta, uma Trova...
 
                     Renato  Alves – Rio de Janeiro -  RJ
                                 A trova é pequena flor
                                 que brota do sentimento...
                                 Com redondilhas e amor
                                 traz à vida um grande alento!

  Agora, amigos, dadas algumas informações sobre a Trova,  que esperamos tenham   sido  proveitosas,   apresentamos, a Trova  de autoria do saudoso irmão – Trovador, José Maria Machado de Araújo,  que representa o desejo de todos nós, que diz :

                                 “Trovadores, meus irmãos,
                                 vamos viver que mãos dadas,
                                 que onde há correntes  de mãos,
                                 não há mãos  acorrentadas !
                                José  Maria  Machado  de  Araújo

            Convidamos, agora, o “cantor – poeta”  Antônio  Moreira, para, homenageando à Academia Brasileira  da  Trova, seus associados  e  todos os Trovadores presentes, interpretar a mais bela canção já  composta  em homenagem aos Trovadores :


O  Trovador
Jair  Amorim  e  Evaldo  Gouveia

Sonhei que eu era um dia um trovador
dos velhos tempos que não voltam mais
cantava assim a toda hora
as mais lindas modinhas
do meu Rio de outrora
Sinhá Mocinha de olhar fugaz
se encantava com meus versos de rapaz.
Qual seresteiro ou menestrel do amor
a suspirar sob os balcões em flo
na noite antiga do meu Rio
pelas ruas do Rio
eu passava a cantar
novas trovas em provas de amor ao luar
e via então com um lampião de gás
na janela a flor mais bela em tristes ais!!!

  Como uma homenagem ao grande responsável pelo imenso movimento  trovadoresco  existente até os nossos dias,  Luiz  Otávio, o Príncipe da Trova Brasileira, registramos  uma Trova de sua  autoria, que todos nós os Trovadores aplaudimos  e comungamos  do seu  louvável pensamento.
           
A Trova  tomou-me  inteiro
tão  amada  e  repetida,
agora  traça  o roteiro
das  horas  da  minha  vida.
                           
E, finalmente, agradecendo em meu nome e da União Brasileira de Trovadores, Seção Rio de Janeiro,  à  Trovadora  Alba Helena  Correia, membro da Diretoria da Academia Brasileira da Trova e demais  associados pela oportunidade que nos  foi  concedida, acrescentamos :

Estou realmente encantada
por tudo que me fizeram
e  levo  na  alma guardada
toda a  atenção que me deram ...

Findando esta cerimônia
que me  deixou encantada,
eu quero ter muita insônia,
para sonhar acordada.

Este conclave comprova
no calor humano infindo
que o mundo de quem faz Trova
é um mundo muito mais lindo ...

Pelo meu  dom  milagroso
agradeço  enternecida
por Deus ser tão generoso
pondo a Trova em minha vida...

E entre amantes da Poesia
me felicito porque
trouxe para a  Academia
lições de amor da UBT.


                 Maria  Nascimento  Santos  Carvalho
Fonte:http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/1002380
Postado em:Maria Nascimento
Enviado por Maria Nascimento em 23/05/2008


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