sábado, 25 de julho de 2015

FALÁCIAS DA VIDA HUMANA- Autor Klinger Sobreira de Almeida-I-Introdução


-

Falácias da Vida Humana (I)
- Introdução ao Tema –
Klinger Sobreira de Almeida*
Falaz, diz o dicionário de Houaiss, é o que engana, frauda, ilude... Falácia, por decorrência, conota a qualidade do que é falaz.

Falácias da vida humana são as mentiras, as felonias, os enganos, as fraudes, as ilusões... Enfim, as inverdades e/ou crueldades que, ao longo da travessia humana, nos guiam por linhas tortas, ou balizam nossa caminhada por veredas trevosas, muitas vezes, ou quase sempre, com aparência e roupagem ou fantasia de verdade.

As falácias empolgam o Ego, submetem-no a incoercível atração, e o ser humano se curva, e, tal qual o personagem lendário de Homero, deixa-se levar pelo “canto da sereia”. Torna-se, então, um escravo, um cego moral, percepção e mente agrilhoados.

No decurso dos séculos, alguns luminares, mestres incontestáveis – Sócrates, Khrisna, Buda, Jesus Cristo - nos anunciaram a verdade, mostraram-nos o caminho. Aliás, este último, dando-nos a mensagem da Boa Nova, foi bem claro: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). Sim! Só a verdade liberta. O inverso é escravidão.

Conhecer a verdade! Quão difícil é ao ser humano, ainda andarilho cósmico de baixo nível consciencial, desvendá-la, embora ela tenha sido dita, divulgada e inspirado grandes religiões! Mas por que essa dificuldade?  Porque a verdade, no dizer do vulgo, é crua e nua. Não dispõe de marketing que emoldura e embeleza artificialmente; não acena com ilusões e prazeres. Para alcançá-la, avançando pelas trilhas que lhe chegam – ínvias, escarpadas, pedregosas, estreitas... – alguns atributos, que temperam o caráter rijo, se impõem: esforço, dedicação, fortaleza, persistência, foco e, sobretudo, renúncia e resistência às ofertas inebriadoras que nos assediam.

Recorrendo ao pensamento de Gibran, poderíamos vislumbrar a busca da verdade como uma progressão alada do Ego vulgar ao Eu superior, o que possibilitará descortinar a luz distante – a luz da liberdade - e o seu chamamento.  Todavia, no torvelinho mundano, não é fácil levantar o voo. Há barreiras fortes e rijas: As Falácias da Vida Humana. Estas, recheadas de apegos e desejos, são armadilhas que, oferecidas com a suavidade envolvente do “canto da sereia”, atraem o Ego vulgar, seguram-no imobilizam-no e fazem-no resistente rumo ao patamar da verdade, o sítio da libertação.
Nesta série de artigos em sequência – reflexões que compartilho com amigos (as) e pessoas de espírito aberto – focalizarei, na minha visão da vida, as falácias mais evidentes.

*Militar Ref. PMMG, escritor membro da Academia de Letras João Guimarães Rosa
-