terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

6272-SONETO À VERDADE: AS APARÊNCIAS QUASE SEMPRE ENGANAM Noneto-Poético-Teatral Nº 62-Soneto nº 6.272 Por Sílvia Araújo Motta/BH/MG/Brasil (*) Interação-interpretativa da reflexão de Klinger Sobreira de Almeida




SONETO À VERDADE: 
AS APARÊNCIAS QUASE SEMPRE ENGANAM

Noneto-Poético-Teatral Nº 62-Soneto nº 6.272
Por Sílvia Araújo Motta/BH/MG/Brasil (*)
Interação-interpretativa da reflexão de
Klinger Sobreira de Almeida:
(Tema: Aparência - Fonte de Enganos)
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Fonte de Engano leva ao mar penoso...
As aparências jorram dor e pena;
branco o sepulcro, mas é mal cheiroso:
_A podridão do mal à terra encena.
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Réus do homicídio, caso tão famoso:
_Os "inocentes NAVES" mudam cena!
Outro julgado... "morte do Veloso"
livre dos autos, solto em Mantena...
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O patamar moral requer AMOR,
verdade simples salva seu final...
A hipocrisia paga o vil valor.
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Nos Mandamentos, Leis Morais ensinam:
_João XXIII nos deu lição papal...
"As aparências quase sempre enganam."
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Belo Horizonte, MG, 20 de fevereiro de 2017
http://www.recantodasletras.com.br/sonetos/5917814
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(*)Soneto-Clássico-sáfico- heroico; com sílabas fortes//
na 4ª, 6ª, 8ª; e 10ª sílabas - Rimas: ABAB, ABAB, CDC, EDE;
Noneto com 9 solos: jogral-teatral-toante-cantante-poético:
CORO:Rimas: AACEE-somente uma voz com apenas
5 instrumentos musicais .
SOLOS: Rimas: BAB-BAB-DC-D-9 vozes acompanhadas por solos de instrumentos musicais.
(Noneto musical criado por Villa Lobos).
(Noneto poético recriado por Silvia Araújo Motta).
Mensagem conclusiva no 14º Verso( Último do segundo terceto)
http://www.recantodasletras.com.br/sonetos/5917814
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Assunto:
APARÊNCIA



Garimpar a verdade! É cavar. Aprofundar. Localizar o veio da ganga impura e segui-lo até o ponto obscuro... Trazê-lo à luz, lapidá-lo. Então, a verdade resplandece... Guia e liberta!
O tema XXXII – APARÊNCIA→Fonte de Enganos – aborda uma faceta  instigante da vida. Os antigos mestres já alertavam sobre o perigo de inferências em cima de aparências. Nestas, o falso assume contornos de verdade, e esta, de falácia. Lao Tsê, em Tao Te King, 800 a.C., sinalizava a fragilidade da compreensão humana no poema 41: “A verdadeira virtude parece vazia. A pureza perfeita parece maculada. A forte virtude parece enferma. A substância autêntica parece espúria...

Caros  leitores,
Reflitamos sobre o tema... Busquemos a essência das pessoas, fatos e coisas...
Saudações Acadêmicas,

Klinger Sobreira de Almeida – Cel. Ref/PMMG
Membro Fundador-Efetivo ALJGR

Membro Correspondente Academia Valadarense de Letras

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Rastreando a Verdade(XXXII)


APARÊNCIA→Fonte de Enganos

 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos e imundícia/Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.” (Mt 23:27-28)
Há 3.500 anos o conhecimento da humanidade rastejava em paralelo ao nível consciencial. Neste aspecto – os fortes e poderosos submetendo os frágeis – a tirania, a escravidão, a tortura, a morte, o roubo, a fraude e todo tipo de desrespeito ao ser humano constituíam o padrão de convivência.  Então, na epopeia do Êxodo, Moisés nos deu as Leis Morais (os Dez Mandamentos).
Hoje, vivenciamos o conhecimento espantoso; a ciência e a tecnologia avançaram em limites jamais sonhados. A humanidade resplandece e extasia-se! E o avanço consciencial? Paramos de guerrear? Matar? Torturar? Escravizar? Roubar? Fraudar?  Não! O ser humano, em diferentes graus, derrapa na ordem moral.
Homens de baixa escala consciencial, mesmo elevados intelectualmente, conduzem-se pelo eixo da APARÊNCIA. Isto é, suas atitudes e decisões guiam-se pela configuração exterior, aquela que se mostra imediatamente, que permite a inferência linear. Diante dos fatos da vida, das coisas e pessoas, são incapazes de penetrar o interior, rastrear a verdade, buscar a essência... Estes, quando alcançam patamares superiores – político, econômico, administrativo, científico, militar... – tornam-se algozes do povo. Os exemplos pululam aos milhares.
Nos primórdios da década de 60, iniciando a carreira policial, o caso dos irmãos Naves, que permaneceram presos por quase 20 anos, réus de homicídio que não acontecera, servira-me de alerta. Esta cautela evitou-me um tropeço, quando Delegado de Mantena, em 1968, ao investigar o assassinato do subdelegado Veloso, em Central de Minas. Obtive a preventiva de um homem que a comunidade em peso apontava como autor, e que, diante de um conjunto de indícios incriminadores, fugira após a morte de seu desafeto. Felizmente, já experiente de longas jornadas, reorientei as investigações por veredas seguras e, ao final, desmontando a falsa configuração e libertado o inocente, apresentei à justiça os verdadeiros autores: o fazendeiro mandante, o corretor e os dois pistoleiros executores. Quantos inocentes não têm sido encarcerados por erros judiciários?! Quantos julgamentos falaciosos lastreados em aparências?!
Além da lição de Cristo, outros grandes mestres nos alertam. Shakespeare: Oh! Que formosa aparência tem a falsidade! Eduardo Galeano: Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus. George Orwell: A linguagem política destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez... João XXIII: O mundo julga pelas aparências e quase sempre se engana.
A meta da humanidade é, sem dúvida, a elevação consciencial, gradual e paulatina. É questão de sobrevivência. À proporção que o patamar moral for sendo alcançado, as atitudes, do micro ao macro, lastreadas na aparência tenderão ao desaparecimento em todas as vertentes de atividade. Os enganos e erros submergirão. A verdade emergirá.  Se tal não acontecer, o conhecimento poderá levar a humanidade à autodestruição.
Klinger Sobreira de Almeida – Militar Ref. – Membro ALJGR/PMMG